segunda-feira, 21 de setembro de 2015

tão a propósito... Esta Gente

Esta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso 
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen

Guy Denning 

um país liberto,  uma vida limpa, um tempo justo...

domingo, 20 de setembro de 2015

branco sobre branco

uma pequena maravilha, no fundo do baú das minhas memórias!


 branco afectuoso!

sábado, 19 de setembro de 2015

Toda a poesia é luminosa

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Eugénio de Andrade


abençoado...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Não posso adiar o coração

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa 


Vezes sem fim, as vezes que li e publiquei este poema... encantador...