quarta-feira, 23 de setembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Para o Meu Coração...

Para o meu coração basta o teu peito, 
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.

Pablo Neruda
o meu coração...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

tão a propósito... Esta Gente

Esta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso 
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen

Guy Denning 

um país liberto,  uma vida limpa, um tempo justo...

domingo, 20 de setembro de 2015

branco sobre branco

uma pequena maravilha, no fundo do baú das minhas memórias!


 branco afectuoso!

sábado, 19 de setembro de 2015

Toda a poesia é luminosa

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Eugénio de Andrade


abençoado...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015