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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Na Casa Defronte


Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,
Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.
São felizes, porque não sou eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,
Vivem entre vasos de flores,
Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,
Cantam sempre, sem dúvida.
Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.
Assim tem que ser onde tudo se ajusta —
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?
Quais outros? Não há outros.
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,
Ou, quando se abre,
É para as crianças brincarem na varanda de grades,
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.
Os outros nunca sentem.

Quem sente somos nós,
Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada! Não sei...
Um nada que dói...
Álvaro de Campos
Matisse

podia ser a minha casa!

sexta-feira, 30 de março de 2018

crucificação de Cristo

muitas são as formas de viver este dia, independentemente da religião é um dia de descanso, reflexão, silêncio...



ilustração de Nikolay Antonov

quinta-feira, 29 de março de 2018

5ª feira santa

uma imagem bem ilustrativa da Semana Santa, foi uma surpresa conhecer este ilustrador, Nicholas de Lacy-Brown

  
fiquei com curiosidade!

segunda-feira, 26 de março de 2018

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor? 

Machado de Assis

domingo, 25 de março de 2018

entre papéis...

"Procura por mim
Mesmo quando tu te perderes
...



Procura por mim

E eu dou-te tudo que é meu"

sábado, 24 de março de 2018

sexta-feira, 23 de março de 2018

pulmões do mundo

No passado 21 de Março, celebrou-se o Dia Mundial da Poesia, da Árvore e da Floresta!
Uma data para celebrar e sobretudo vivenciar!
A floresta é, infelizmente, este ano um assunto sensível por todo o drama que transporta dos meses de Junho e Outubro… são prementes acções  de arborização e reflorestação da nossa floresta! É urgente, sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, pelo bem que nos presenteiam,  particularmente, equilíbrio ambiental, ecológico, energia e serenidade!


a par, celebramos a poesia, uma comunhão feliz!

terça-feira, 20 de março de 2018

metade de mim é amor...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada 
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

domingo, 18 de março de 2018

Nascer Todas as Manhãs

Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga



tão bonito...

sexta-feira, 16 de março de 2018

A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo


Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen, 

segunda-feira, 12 de março de 2018

o Tempo e o Sossego Suficientes


Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.
Alberto Caeiro


da minha janela...

terça-feira, 6 de março de 2018

inúmeras folhas


As verdades diferentes na aparência são como inúmeras folhas que parecem diferentes e estão na mesma árvore.
 Gandhi

a minha oliveira!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Lá fora...

um dia chuvoso
nublado, cinzento, frio!
Um dia onde não existem horas nem tempos! 
Um dia banal, replecto de coisas banais.
Nada acontece.
um dia onde apetece ficar… 
Pequenos deleites:
o café a fumegar
a camisola de lã, XXL
os lápis de cor,
um filme antigo.
Lá fora,
a serenidade, o silêncio!
não me canso de olhar...
a minha nogueira sem folhas, 
esbelta e majestosa

lembranças, muitas lembranças dos dias ensolaradas!


quinta-feira, 1 de março de 2018

dias muito difíceis...

absurdos, irritantes, banais, aborrecidos, frustrantes, enfadonhos...

ilustração de Roser Matas
sei lá, há dias assim!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Este é o inverno

Um frio de leve
vem pra ficar.
A brisa suave
faz a árvore balançar.
O vento sopra
assobiando.
O céu escuro
vai ficando.
As nuvens passam
de mansinho.
A chuva chega
devagarinho.
As pessoas correm
abrindo guarda-chuvas.
Vi um homem de casaco
e uma mulher de luvas.
É esse o inverno
sorrateiro.
Vem chegando
e nem avisa primeiro.

Clarice Pacheco

a chuva chega devagarinho... muito devagar!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo 
As cidades poderiam ser claras e lavadas 
Pelo canto dos espaços e das fontes 
O céu o mar e a terra estão prontos 
A saciar a nossa fome do terrestre 
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — própria 
Cada dia a cada um a liberdade e o reino 
— Na concha na flor no homem e no fruto 
Se nada adoecer a própria forma é justa 
E no todo se integra como palavra em verso 
Sei que seria possível construir a forma justa 
De uma cidade humana que fosse 
Fiel à perfeição do universo 
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco 
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo 
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas" 
lindo, este poema...

domingo, 11 de fevereiro de 2018

sentimento de culpa

Hoje, tive tantas saudades do meu blog… dei conta quando efectuei uma pequena pesquisa! Não consigo expressar a multiplicidade de sentimentos que me assolaram… mágoa, arrependimento, culpa, saudade, lembranças… tantas emoções!
Senti-me tão culpada quando percebi que o tinha, literalmente, abandonado! Quase parecia ter desistido de uma pessoa, de um amigo!?! Percebi que o apego a este espaço é real e que de alguma forma posso fazer a feliz os que me seguem, através da partilha de coisas tão simples!
É premente continuar uma história inacabada… detesto histórias que não têm um final feliz e nunca abandono um “amigo”, uma causa ou seja lá o que for em que acredito!

Vou ter, obrigatoriamente, de continuar a contar a história, histórias de locais, pessoas, banalidades que me fazem, imensamente feliz!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

No dia de São Martinho...

Vai à adega e prova: o vinho novo, as castanhas, os marmelos, as romãs...


as coisas boas e simples da vida!!!

domingo, 6 de novembro de 2016

com as malas feitas...

"Com as malas feitas e tudo a bordo
E nada mais a esperar da terra que deixamos,
Já com os trajes moles característicos dos viajantes, debruçados da amurada
Digamos adeus com um levantar da alegria ao que fica,
Adeus às afeições, e aos pensamentos domésticos, e às lareiras, e aos irmãos,
E enquanto se abre o espaço entre o navio lento e o cais
Gozemos uma grande esperança indefinida e arrepiada,
Uma trémula sensação de futuro.
Eis-nos a caminho, e quase a meio do rio
Aumenta a nitidez deixada na terra
Dos alpendres e dos guindastes ou das mercadorias descarregadas
E não é a nós, felizmente, que diz adeus aquela família
Aglomerada no extremo do cais, com um cuidado subjectivo e visível
De não cair dentro de água no meio da emoção.
...


A nossa alma sai um pouco para fora do seu lugar

E as rodas da nossa vida quotidiana começam a cambalear como se fossem sair do eixo...

Álvaro de Campos

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

da minha janela...

o branco da cal e o ocre, uma mistura harmoniosa! 

uma luminosidade especial, num dia de chuva!